Grande Fortaleza lidera aumento da miséria entre as maiores regiões metropolitanas do país nos últimos 10 anos, aponta IBGE

Por Redação Ceará Agora 04/12/2025 - 08:27 hs
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Grande Fortaleza lidera aumento da miséria entre as maiores regiões metropolitanas do país nos últimos 10 anos, aponta IBGE
Grande Fortaleza lidera aumento da miséria entre as maiores regiões metropolitanas do país

A Grande Fortaleza registrou o maior avanço da miséria entre as dez maiores regiões metropolitanas do Brasil na última década, segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2024, divulgada, nesta quarta-feira (3), pelo IBGE.

O IBGE adota o parâmetro do Banco Mundial para definir extrema pobreza: renda per capita inferior a US$ 2,15 por dia — o equivalente a R$ 7,45 diários ou R$ 223 mensais na cotação atual.

Enquanto, no país, a taxa de miséria caiu de 5,6% em 2015 para 3,5% em 2024, nas grandes metrópoles o movimento foi inverso. Somadas, as dez maiores regiões metropolitanas viram o percentual de pessoas vivendo na miséria subir de 2,9% para 3,3% no período.

PIOR SITUAÇÃO

A pior situação é a da Região Metropolitana de Fortaleza, que registrou o maior salto: alta de 2,6 pontos percentuais, chegando a 6,8% da população — cerca de 348 mil pessoas em extrema pobreza. A Grande Fortaleza é a metrópole mais populosa do Nordeste, com 3,9 milhões de habitantes.

Em termos absolutos, a Grande São Paulo foi a que mais acrescentou pessoas à miséria, passando de 406 mil para 630 mil.

No conjunto das dez maiores metrópoles, a população total passou de 62 milhões (2015) para 64 milhões (2024), enquanto o número de pessoas em extrema pobreza aumentou de 1,8 milhão para 2,1 milhões.

Para o economista João Mário de França, professor da UFC e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o quadro da capital cearense reflete problemas estruturais antigos.

“Fortaleza tem uma taxa de informalidade bem acima da média nacional, o que gera um dos rendimentos médios do trabalho mais baixos entre as capitais. Por fim, também faltou uma boa estruturação e execução de políticas sociais”, afirma o professor, em declararão publicada pelo UOL.

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